Imagem capa - Dores da Quarentena - Não sou uma máquina por Roger Fotografo

Dores da Quarentena - Não sou uma máquina

Dores da Quarentena

Das minha andanças, à esperança. Das muitas pessoas às ruas, onde poucas se veem, nenhuma se olha. Somos invisíveis.

Hoje na agonia das 4 paredes, dos 4 cantos da cela, da casa, do lar, somos "obrigados" ver, falar e conversar com quem antes mal dávamos bom dia e boa noite.

Não há tempo. Não não há. Telefonemas? Jamais, manda um whats é mais rápido, mais frio, mais gelado, mais máquina, mas é o que há.

A convivência extrema ou a falta extrema gera caos. Você já notou quanto dói a saudade? E o excesso de presença, quem já surtou?

As brincadeiras acabam, as ideias minam, às vezes, as lágrimas caem. Não de prazer, mas quem sabe de medo, tristeza e angústia.

Ainda há poucos com muita renda, alguns com alguma e milhares sem nenhuma. Ou se morre de Covid ou quem sabe pela fome.

Ah, como reclamávamos sobre o TEMPO, não é mesmo?! Nunca o tínhamos para nada, lembra-se ? Agora o temos, mas como ele também vieram tantos sentimentos juntos que mais uma vez ele se perdeu.

É LIVE, é curso ON LINE, é TV, é INSTA, SNAP, TIKTOK, FACE, ZOOM....mas fala pra mim, ou melhor, pra você mesmo. Não tem horas que parece que falta alguma coisa?

Ah, e detalhe: É o novo NORMAL. Isso. Li esses dias. Não temos como fugir, teremos que nos adaptar. Afinal de ficar o bicho pega e se correr o bixo come.

Mas não é só o VÍRUS que mata. É a ganância. Já repararam nas notícias? Aff...tem horas que parece que estou apenas esperando os africanos na porta de casa dançando com o caixão na cabeça.

Políticos perdidos, como sempre arrombando mais os cofres públicos, afinal, é uma alegria em tempos de Pandemia fazer contratação e não ter licitação.

É o povo, somos nós uma nação forte, valente e guerreira. Mas que por muitas vezes, parece e padece por falta de amor, humanidade e solidariedade.

Não me refiro só a nós brasileiros, mas vejamos, o mundo está doente e não só fisicamente. No coração, na alma. Alguns credos te perdoam, outros justificam, quem sabe algum te julga e te condena.

Que duro e difícil sair dos livros de história e vivê-la agora, no nosso mundo, na nossa realidade.

Ia me esquecendo, nos tornaremos a geração HOME-OFFICE. Aquela que faz tudo de casa. Que cozinha, lava-roupa, cuida dos filhos, estuda junto, faz lição e ainda produz pra karalho (com o perdão da palavra). É a nova realidade.

Agora fico eu imaginando como seriam essas profissões em Home-Office: seu padeiro, seu mecânico, a indústria de alimentos, os trabalhadores rurais, os caminhoneiros, motoristas de transporte público, médicos (aquele do PS, que corremos muitas vezes com uma febrinha). Serve para alguns? óbvio que sim. Serve para todos? Jamais.

Quem sabe agora voltemos aos longos telefonemas e quando retornarmos ao novo NORMAL, olhemos com mais atenção aos olhos das pessoas. Que tratemos o próximo como um ser humano. Utópico né. Pois é, também acho. Mas teremos a opção de SERMOS melhores se quisermos um novo normal.

Melhores com nossos superiores, familiares, pais, filhos, subordinados. Melhores em tudo. Temos essa chance. Ou aproveitamos para dar um RESET na vida, ou voltamos na merda que estávamos. Como dizem alguns: A NATUREZA cobra e eu não duvido.

Força para todos nós ! ! ! Deus quer e nós também queremos.